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Festa literária come�ou e prossegue até domingo

Luis Alfredo Farache, Luis Alfredo Farache Benacerraf
Festa literária come�ou e prossegue até domingo

Nelson Kon/Divulga�óo

Módulo artístico Terra Nova pretende tra�ar novas viv�ncias na cidade de Paraty para moradores e visitantes, a partir da instala�óo No Ar, de Laura Vinci

A 17ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) terá programações gratuitas por toda a cidade. O Programa Educativo, a Flip+, as Casas Parceiras e a Praça Aberta são alguns exemplos de atividades da festa com acesso livre para o público. No Auditório da Praça, junto à Igreja Matriz, ocorrerão mesas literárias e shows musicais, também com entrada liberada. A abertura foi na noite de ontem, com a mesa Canudos, com participação da crítica literária Walnice Nogueira Galvão, autora de 40 livros, dos quais 12 dedicados ao escritor Euclides da Cunha, grande homenageado do evento este ano.  Já para as mesas literárias do Programa Principal, que serão realizadas no Auditório da Matriz, o ingresso custa R$ 55,00 (inteira). Todos os debates terão tradução simultânea e serão transmitidos para o público da praça. Quem ainda não conseguiu comprar os ingressos para o Programa Principal, disponíveis desde 3 de junho pela internet, poderá adquiri-los na bilheteria do evento, na fila chamada Último Minuto. Nesta 17ª edição, a Flip introduz o módulo artístico Terra Nova , que pretende traçar novas vivências na cidade de Paraty para moradores e visitantes, a partir da instalação No Ar , concebida pela artista Laura Vinci, com a performance Máquina do Mundo , do núcleo de arte da Mundana Cia.de Teatro. Uma nuvem de vapor instalada na Ponte do Pontal, que é o principal acesso do público ao Centro Histórico de Paraty, leva a uma reflexão sobre a transformação dos estados da natureza, incentivando as pessoas a descobrirem novas configurações na névoa. O projeto pode ser conferido no sábado, a partir das 9h. “O público da Flip vai experimentar atravessar esse vapor, essa neblina, no meio da cidade, e também poderá assistir a uma performance que encontra pontos de contato entre textos fundamentais da literatura brasileira e as formas plásticas”, destaca a curadora da festa, Fernanda Diamant. O filme de Glauber Rocha, Deus e o Diabo na Terra do Sol , de 1964, filmado em Monte Santo, na Bahia, estabelece ligação com a obra Os Sertões , de Euclides da Cunha, ao traçar um retrato da violência e do autoritarismo característico do sertão brasileiro. A exibição está programada para hoje, às 22h, no Auditório da Praça. Marco do Cinema Novo, o filme será exibido na íntegra, com legendas em inglês. A sessão de cinema será precedida de apresentação da cantora, cineasta e compositora Ava Rocha, em homenagem ao seu pai, Glauber Rocha, que completaria 80 anos em 2019. Dentro ainda do Programa Principal, a Flip+ vai apresentar filmes clássicos de longa metragem brasileiros no Cinema da Praça que, segundo Fernanda Diamant, dialogam com Os Sertões  e o universo criativo de Euclides da Cunha. Destaque para os filmes Vidas Secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos; Cabra Marcado para Morrer  (1984), de Eduardo Coutinho; Árido Movie  (2005), de Lírio Ferreira; e Tabu  (2012), de Miguel Gomes. A parte educacional da Flip ocorre durante o ano todo, por meio da promoção da leitura, integrando crianças e jovens às suas comunidades, na busca pela valorização da cultura e dos saberes locais. Essas ações são realizadas na Biblioteca Comunitária Casa Azul, na Ilha das Cobras, considerada uma das áreas mais vulneráveis de Paraty. Criada em 2003, durante a primeira edição da Flip, com um pequeno acervo de livros dos autores convidados à época, a biblioteca hoje acumula cerca de 16 mil títulos. Além disso, oferece programação permanente para a formação de leitores e apoio aos professores da rede pública. Entre os autores nacionais e estrangeiros que participam este ano da Flip estão a compositora Adriana Calcanhoto; o líder indígena e ambientalista Ailton Krenak; a artista e dramaturga brasileira Grace Passô; a artista interdisciplinar portuguesa Grada Kilomba; o escritor angolano Kalaf Epalanga, membro da banda Buraka Sim Sistema; a escritora americana Kristen Roupenian; a fotógrafa inglesa naturalizada brasileira Maureen Bisilliat; a escritora canadense Sheila Heti. Por motivo de saúde, o biólogo e pesquisador Stuart Firestein, professor da Universidade de Columbia (EUA), onde lidera estudo sobre o sistema olfativo de animais vertebrados, cancelou sua vinda ao Brasil para participar da Flip. Firestein comandaria a Mesa 18, sobre a terra indígena Massacará, e será substituído pelo neurocientista brasileiro Sidarta Ribeiro. A Secretaria Municipal de Cultura de Paraty terá programação intensa na 17ª Flip. As atividades passarão pela Biblioteca Municipal, Cinema na Praça, Mercado das Artes, onde funciona o espaço oficial do artesanato local. Em entrevista à Agência Brasil, o secretário adjunto de Cultura de Paraty, José Sérgio Barros, destaca que a Flip é o maior evento de literatura da América Latina pela oferta e diversidade de programação. “É o grande diferencial da Flip para movimentar toda a parte do turismo e economia do município, além do trabalho desenvolvido na parte educacional”. A programação completa pode ser conferida no site: https://www.flip.org.br .